Com serviços de cidadania, documentação e acolhimento social, a quarta edição da Justiça Itinerante Cooperativa na Amazônia Legal realizou, entre 18 e 22 de maio, ao menos 12.129 atendimentos no Arquipélago do Marajó (PA). Foram 6.306 em Breves e 5.823 em Portel, onde também foi atendida a população de Melgaço.
Os serviços envolveram emissão de documentos, concessão de benefícios, consultas médicas, mediação de conflitos e orientações jurídicas e sociais. A procura da população teve crescimento diário e a adesão às atividades chegou até em forma de voluntariado. A mobilização reforçou o impacto da iniciativa na região, ampliando o acesso a direitos e aproximando instituições públicas das comunidades mais isoladas.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas/PA) somaram atendimentos voltados a autorizações, regularizações e esclarecimentos sobre atividades produtivas e conservação, totalizando 168 atendimentos prestados.
Os eixos fundiário e de cidadania envolveram órgãos essenciais para regularização de terras e documentação civil. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto de Terras do Pará (Iterpa) realizaram 1.261 atendimentos em Breves e Portel, enquanto serviços de identificação e registro civil, conduzidos pelo Instituto de Identificação Civil, pela Receita Federal e por Cartório, somaram 3.252 atendimentos. Além disso, programas sociais e mediação de conflitos foram fortalecidos com CadÚnico e Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), que juntos atenderam 1.825 pessoas nas duas cidades.
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Os eixos saúde e previdenciário contaram com a presença de equipes especializadas, garantindo o acesso a consultas e direitos sociais. A Força Nacional do SUS, o Hospital das Clínicas e o Hospital Albert Einstein realizaram 2.556 atendimentos médicos em diversas especialidades. Já o INSS respondeu por 1.115 atendimentos previdenciários. A Seção Judiciária do Pará do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) fez 749 atendimentos e o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8) registrou 184 atendimentos em Breves e Portel.
Além dos principais eixos destacados, a Justiça Itinerante registrou um conjunto expressivo de atendimentos complementares, que somaram 1.019 serviços adicionais nas duas cidades. Esse conjunto inclui serviços prestados pelas defensorias públicas da União e do estado, por diferentes ramos do Ministério Público (estadual, federal e do trabalho) e por equipes do Ministério do Trabalho e Emprego. Somam‑se ainda os procedimentos odontológicos ofertados pelo município de Breves, as audiências judiciais pré‑agendadas conduzidas pelo Judiciário estadual e federal e outras ações de menor escala que contribuíram para ampliar o alcance da iniciativa.
Juntas desde 2005, Lígia Pacheco, 37 anos, e Rosimeire Machado, 46 anos, celebraram na Justiça Itinerante a formalização de uma história construída ao longo de 21 anos de convivência. Inicialmente a ideia de Lígia era buscar informações sobre o registro de maternidade socioafetiva da filha que criaram juntas. Na ação, ela conseguiu oficializar não apenas a maternidade, mas também a união. “Sempre tive preocupação com direitos, precisamos garantir direitos às pessoas que fazem parte da nossa vida. Já temos uma vida longa juntas, firme e estruturada. Eu não tinha levado nenhum documento, fui só buscar informação. Mas o serviço da ação é tão bom que, de repente, eu já estava na sala resolvendo tudo. Em quatro horas, o registro da nossa filha estava praticamente pronto”, afirmou.
Regina Lúcia da Gama, 52 anos, buscou atendimento na ação da Justiça Itinerante para esclarecer dúvidas sobre o benefício destinado à neta Maria Helena, uma criança com transtorno do espectro autista, nível dois de suporte. Chegou por volta das 10h da manhã para saber se a criança tinha algum direito e, no mesmo dia, conseguiu a atualização do laudo da neta e a inscrição no Cadastro Único. “O acolhimento e a agilidade foram perfeitos. São muito importantes esses serviços para nossa população de Portel”, disse.
Eucilene Coelho da Silva, 36 anos, moradora da área rural de Melgaço, iniciou na Justiça Itinerante a recuperação da própria cidadania após quase duas décadas sendo considerada morta pelo Estado por causa de um erro de digitação no CPF. Desde 2005, quando o registro de óbito de um homem foi vinculado ao seu número, ela teve benefícios bloqueados, documentos cancelados e sucessivas negativas do INSS. A situação só veio à tona em 2021, quando tentou acessar o seguro-defeso e descobriu que constava como falecida.
Por cinco anos, percorreu cartórios, Receita Federal e INSS em várias cidades (Belém, Breves, Macapá), sem que ninguém identificasse a origem do erro. No Justiça Itinerante, porém, o caso finalmente avançou: após anos de frustração, Eucilene viu em poucos dias aquilo que buscava há tanto tempo: a chance real de corrigir o registro e reaver seus direitos, algo que ela descreve como um alívio e uma esperança renovada. “Eu descobri em 2021, quando fui pedir o seguro-defeso, que constava um registro de óbito no meu nome. Desde então, meus documentos foram todos cancelados e passei cinco anos indo a cartórios, Receita Federal e INSS em várias cidades, sem ninguém conseguir resolver. Hoje, aqui na itinerância, eu espero em Deus que finalmente dê certo”. O juiz do trabalho do TRT‑8, Avertano Klautau, explicou que a situação de Eucilene já está em processo de regularização.
Coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o programa Justiça Itinerante Cooperativa na Amazônia Legal tem como diferencial o modelo cooperativo e interinstitucional. A atuação integrada permite levar, de forma simultânea, serviços que normalmente exigiriam múltiplos deslocamentos da população, muitas vezes inviáveis na região amazônica. Uma ação que só é possível graças às múltiplas parcerias.
Os órgãos parceiros da Justiça Itinerante formam uma ampla rede institucional que reúne Judiciário, Ministério Público, defensorias, Executivo federal, estadual e municipal, além de entidades da sociedade civil. Realizaram a ação junto com o CNJ: o Conselho da Justiça Federal (CJF); o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT); o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP); o Superior Tribunal de Justiça (STJ); o Tribunal Superior do Trabalho (TST); o Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA); o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1); o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE‑PA); o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT‑8); o Ministério Público Federal (MPF); o Ministério Público do Trabalho (MPT); o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA); a Defensoria Pública da União (DPU); a Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE‑PA); a Ordem dos Advogados do Brasil — Seção Pará (OAB‑PA); além de ministérios, como o Ministério da Defesa (MD); o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP); o Ministério da Saúde (MS); o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); o Ministério da Previdência Social (MPS); o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Participam ainda a Advocacia‑Geral da União (AGU); o Governo do Estado do Pará; as prefeituras de Breves, Portel e Melgaço; a Receita Federal do Brasil (RFB); o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A iniciativa conta ainda com entidades da área de registro civil, como a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen‑Brasil); a Arpen‑PA; e a Anoreg‑PA; além de instituições de saúde e ensino, como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; o Hospital Israelita Albert Einstein; a Universidade Federal do Pará (UFPA); e a Faculdade Metropolitana do Marajó (FAMMA).
Como apoiadores, participaram o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); o Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat); o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef); e a Vale S.A., fortalecendo a atuação integrada da Justiça Itinerante na Amazônia Legal.
Fonte: CNJ